Cigarros eletrônicos e outras modernidades aumentam riscos para o coração

Hipertensão: 40% de infartos e 80% de AVCs no Brasil

Ansiedade de um lado, sedentarismo de outro. Em comum, causas que contribuem para hipertensão, diabetes e outros males que afetam diretamente o coração. De acordo com o cardiologista Mário De Devitiis, do Hospital Pitangueiras, o uso intenso de redes sociais, novas formas de tabagismo e outras interações eletrônicas têm impactado ainda mais a saúde coronária das pessoas, inclusive de crianças e adolescentes.

Conforme a Organização Mundial da Saúde, a hipertensão é responsável por 40% dos infartos e 80% dos AVCs. Cerca de 300 mil pessoas por ano são vítimas de infarto agudo do miocárdio. No Brasil, 30 milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem de hipertensão. E uma das suas principais causas é o estresse.

 

Mudança intensa de comportamento

Com mais de 30 anos de clínica médica, Dr. Mário diz ter visto uma mudança intensa no comportamento dos pacientes. “Dos hábitos alimentares ao lazer, tudo mudou muito. Hoje é comum, por exemplo, almoçar ao lado do celular ou em frente à TV. Incomum ficou mesmo é uma boa conversa em família enquanto se faz a refeição”, explica. Ele também adverte que um hábito ruim parece ativar outro. “As pessoas hoje ficam muito conectadas às redes sociais, ansiosas pelo desempenho de um post ou vítimas de fake news de todas as naturezas. O mergulho no universo online parece aprofundar ainda mais o sedentarismo, que por sua vez potencializa a obesidade e outros tantos fatores de risco para o coração”, diz.

 Mas nem tudo parece perdido diante dos novos tempos. O acesso mais amplo à informação também acabou elevando a conscientização sobre a importância da mudança de hábitos. “Na verdade, uma alimentação equilibrada, aliada à prática de atividades físicas e outros hábitos saudáveis são recomendações não só para a prevenção de doenças do coração, como muitas outras”, explica o cardiologista.

 Segundo ele, a mudança de atitude precisa estar aliada à realização de exames preventivos e ao cumprimento das recomendações médicas. “Temos nos deparado muito com pacientes que acham que já estão diagnosticados porque encontraram tudo sobre seu quadro de saúde internet. Mas é importante ressaltar que a consulta com um especialista é primordial e insubstituível”, diz o médico.

 Dr. Mário concluiu lembrando que entre os fatores de riscos estão obesidade e sedentarismo, hereditariedade, tabagismo (inclusive os cigarros eletrônicos), ingestão de sal em excesso e o estresse. “As doenças coronarianas estão entre as que mais fazem vítimas no mundo. Mas elas são tratáveis e com acompanhamento e atenção dos pacientes é muito possível levar uma vida normal”, conclui.